Japão quer construir uma muralha de gelo para barrar a água contaminada

Cinco anos depois do acidente nuclear na usina de Fukushima Daiichi, localizada na província de mesmo nome, japoneses ainda sofrem com as consequências. Os reatores que não derreteram continuam superaquecendo e precisando ser refrigerados com água, que depois fica contaminada. Mas o Japão quer mudar isso com uma muralha de gelo (não, não é a de Game of Thrones).
Ela está sendo planejada há alguns anos pela Tokyo Eletric Power (Tepco), mas só nesta quarta-feira (30) eles conseguiram autorização da NRA (Agência de Regulação Nuclear, na sigla em inglês) para ativá-la. O propósito é evitar que as águas subterrâneas sejam contaminadas, barrando o contato delas com o reator. Espera-se que ela também impeça a contaminação da água no Oceano Pacífico.
A muralha tem 30 metros de profundidade e 1,5 km de comprimento, congelada a 30 ºC negativos. No total, ela custou US$ 312 milhões. O resultado vem a longo prazo: os japoneses esperam resolver o problema da água contaminada a tempo das Olimpíadas de 2020, que acontecerão na capital japonesa de Tóquio. Engenheiros da Tepco esperam conseguir extrair a água que vaza por debaixo das turbinas antes dos jogos.

Apesar de ter sido comparada com a Muralha de Game of Thrones no incío da matéria, a parede de gelo japonesa é composta por centenas de canos que foram colocados nosubterrâneo, em volta de quatro reatores danificados. A água para resfriar os três reatores danificados fica contaminada e vaza depois de passar por eles, se misturando com a água do subsolo.

Com os canos a uma temperatura de -30 ºC, engenheiros dizem que o solo ao redor será congelado e uma espécie de muralha será formada, dentro de alguns meses, para a água limpa do solo não ser infectada. Caso a energia falhe em alimentar os canos, aparede pode continuar congelada por até dois meses.
Todo o sistema de resfriamento será acompanhado de perto pelos responsáveis, sendo ligado em fases para fragmentar o monitoramento. Há anos, o projeto vem sendo criticado pelo seu alto custo de produção e incertezas quanto ao seu funcionamento completamente eficaz. Há quem diga que os canos podem congelar tanto o solo que a quantidade de água subterrânea pode diminuir significativamente.

Pode ser um problema plausível, uma vez que a temperatura da muralha não pode ser ajustada rapidamente, caso algo dê errado. A temperatura só pode ser alterada em questão de semanas, o que também custa muito dinheiro.

Quando perguntado se a muralha valeria o investimento, o porta-voz da Tepco Toshihiro Imai se limitou a dizer que “o efeito ainda é incerto, uma vez que o resultado esperado é baseado em simulações”.

Considerando todos os ricos e saídas prováveis, não se sabe o que pode acontecer; todas as simulações sugerem que o sistema tem capacidade o suficiente para barrar a água contaminada. No entanto, o presidente da NRA, Shunichi Tanaka, avisou para não termos expectativas muito altas, já que parte do sucesso do projeto depende de causas naturais. E sabemos que nem sempre a natureza funciona como esperamos.
Um método parecido já havia sido testado antes nos Estados Unidos, mas não em uma escala tão grande quanto a da muralha. Em entrevista à Associated Press, Tanaka afirmou que uma liberação controlada da água tratada é a melhor opção para tratar a água infectada, mas nada vai adiantar se esta vazar para o oceano.

Relembrando o acidente de Fukushima
Causado por um terremoto de magnitude 9,0 na escala Richter, o desastre de Fukushima aconteceu porque três dos seis reatores não conseguiram mais ser refrigerados pelos danos causados por tsunamis de mais de 40 metros de altura. Ele foi considerado o maior desastre nuclear desde Chernobyl, na região hoje abrangida pelo território da Ucrânia.

Em seu aniversário de cinco anos, a CNN fez uma reportagem especial sobre a catástrofe, que deixou 20 mil mortos e feridos. A radiação vaza até hoje, com 400 toneladas de água contaminada sendo adicionada diariamente aos tanques de armazenamento. Até agora, são mais de 800 mil toneladas (!) de água infectada. Também foram gastos mais de US$ 1,5 bilhão para juntar o solo contaminado em centenas de sacos plásticos industriais.
Até hoje, quem vive em uma zona relativamente próxima do acidente toma precauções diárias para garantir sua saúde. Uma escola na província mede a radiação no solo e nas comidas distribuídas na merenda todos os dias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que habitantes próximos da usina têm um risco 4 a 7% maior de desenvolver câncer.
O Japão, país que já teve mais de 30% de toda sua energia proveniente de 50 reatores nucleares, desligou seu último reator em 2012. Japoneses não ficavam sem energia nuclear há 45 anos. Agora, o país importa 80% de seu combustível. O desligamento fez as contas de luz aumentarem 19% e as emissões de dióxido de carbono aumentarem significativamente.

Fonte: Tecnoblog

 
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